Falhas na memória otimizam tomada de decisão

Lambranças simples são mais eficazes para prever novas experiências

Publicado em 24/08/2017
Falhas na memória otimizam tomada de decisão

Para a maioria das pessoas ter uma boa memória significa poder lembrar de informações claramente por longos períodos de tempo. No entanto, segundo os neurocientistas Paul Frankland e Blake Richards da Universidade de Toronto, no Canadá, nossos cérebros estão trabalhando ativamente para esquecer. "É importante que o cérebro esqueça detalhes irrelevantes e, em vez disso, se concentra no material que vai ajudar a tomar decisões no mundo real", diz Richards para o Science Daily.

O artigo analisa a literatura da lembrança, conhecida como persistência, e o mais novo estudo sobre o esquecimento ou transitoriedade. A pesquisa  revela que o esquecimento é um importante componente do nosso sistema de memória. "Nós encontramos muitas evidências de pesquisas recentes que existem mecanismos que promovem a perda de memória, e que estes são distintos no armazenamento de informações", diz Frankland.

Um desses mecanismos é o enfraquecimento ou eliminação de conexões sinápticas entre neurônios, nos quais as memórias são codificadas. Outro mecanismo, apoiado por evidências do próprio laboratório de Frankland, é a geração de novos neurônios em células-tronco. A medida que eles se integram ao hipocampo, novas conexões remodelam os circuitos do hipocampo e substituem as memórias armazenadas nesses circuitos, tornando mais difíceis de acessá-las. Isso pode explicar por que as crianças, cujos hipocampos estão produzindo novos neurônios, esquecem tanta informação.

Pode parecer contra-intuitivo que o cérebro gaste tanta energia criando novos neurônios em detrimento da memória. Richards, cuja pesquisa aplica teorias de inteligência artificial para entender o cérebro, procurou princípios de aprendizagem da máquina ​​para obter respostas. "Se você está tentando navegar no mundo e seu cérebro está constantemente trazendo várias memórias conflitantes, isso torna mais difícil para você tomar uma decisão", diz.

Na inteligência artificial, este princípio é chamado de regularização e funciona criando modelos de computador simples que priorizam informações essenciais, mas eliminam detalhes específicos, permitindo uma aplicação mais ampla. As memórias funcionam de forma semelhante. Quando lembramos apenas da essência de um encontro em oposição a todos os detalhes, isso contribui para a criação de memórias simples que são mais eficazes para prever novas experiências.

Em última análise, esses mecanismos são caracterizados pelo ambiente em que nos encontramos. Um ambiente em constante mudança, as memórias episódicas são esquecidas mais rapidamente do que o conhecimento geral que acessamos diariamente.

Foto: Pixabay